sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Para não dizer que não falei das flores...

Ponte curva do Jardin Japonês
Buenos Aires é repleta de praças, parques e jardins e eles constituem um traço marcante no estilo de vida da cidade. O portenho se apropria com muita desenvoltura desses espaços. Seja qual for a estação, basta que o sol aponte no céu que haverá, sem dúvida, um argentino estirado na grama fazendo a “ciesta”, tomando um mate, praticando alguma atividade esportiva ou brincando com seu cão. E especialmente nessa época do ano, quando a primavera traz dias com temperaturas mais quentes, cada espaço de grama torna-se tão disputado quanto as areias do Leblon.

Jardim de bonsais
Entre tantas opções para conhecer e desfrutar, eu destacaria dois espaços que eu considero verdadeiros oásis em meio ao burburinho de Palermo: o Jardín Japones e o Rosedal, todos dois são extensões do Parque 3 de Febrero, o mais importante da cidade. Não é possível passar por Buenos Aires e não reservar um dia para visita-los. Mais protegidos, com acessos monitorados, os dois jardins estão muito bem conservados. Neles não é possível fazer piqueniques ou passear com animais, como é facultado na maioria dos parques locais, mas são lugares essencialmente para contemplação.

Jardín Japones

Delicadeza das sakuras
Construído em 1967 por ocasião da visita à Argentina do então Príncipe herdeiro Akihito, atual Imperador do Japão, é no Jardín Japones que se desenvolve uma série de atividades para promoção da cultura japonesa em Buenos Aires e sua agenda é sempre muito variada. Vale conferir.

A entrada é paga e é revertida para a Fundación Cultural Argentino Japonesa, que administra o espaço, declarado em 2008 “Bien de Interés Histórico- Artístico Nacional”.

Como em todo jardim japonês, nada está ali por acaso. Tudo tem um sentido, uma explicação, com o intuito final de proporcionar equilíbrio. Tem pontezinha, ilhas, muitos laguinhos, carpas e mais carpas, elementos tradicionais da cultura japonesa como o bonsai, as lanternas e um pagode de pedra de 13 andares, peça usada para adornar templos budistas e guardar relíquias. E claro, não poderia faltar, um corredor de sakuras. Se tiver a sorte de pegá-las floridas, ai, então, a beleza é completa. Eu peguei em julho.

Dentro do jardim tem lanchonetes e uma casa de chá, que funciona como restaurante típico, muito bom, que vale principalmente pelo ambiente e pelos chás: experimente o verde com jasmim e o de trigo tostado.
Mais de 14 mil espécies de rosas

Rosedal

Numa área de três hectares dentro da Plaza Holanda, cercada e rodeada pelo lago, está o Rosedal. Com mais de 14 mil rosais de variedades diferentes, das quais algumas espécies florescem o ano todo, é logicamente na primavera que o jardim esbanja exuberância. Sua visita no dia 21 de setembro é quase obrigatória para os argentinos.

Por trás de tanta beleza há uma explicação histórica para esse jardim de rosas. Antes mesmo de sua criação, o local já era conhecido como Rosedal porque era ali que, em 1852, estava a casa do então governador de Buenos Aires, Juan Manuel de Rosas. Com a sua queda, depois da conhecida Batalha de 3 de Febrero, da qual o Brasil fez parte junto com o Uruguai, a casa foi demolida para dar espaço ao rosal.

Puente dos Enamorados
Para acessá-lo, é preciso passar pela Puente de los Enamorados, toda branca, em estilo grego, faz um conjunto arquitetônico pra lá de romântico com as pérgulas do Pátio Andaluz. O pátio foi um presente da cidade Sevilha em 1929. A entrada no Rosedal é franca.

Símbolo do amor, o Rosedal também resguarda o Jardin de los Poetas, onde estão 25 esculturas de escritores famosos no mundo, entre os quais Shakespeare, Dante Alighieri, Garcia Lorca. Fiquei imaginando que aquele poderia ser o jardim cantado por Cartola, afinal ele eternizou muito bem essa relação entre o amor e as rosas.



sábado, 7 de setembro de 2013

Amigos de aluguel

Se você me perguntar se quero viajar, antes mesmo de conseguir terminar a frase eu já estarei com as malas prontas. Mas se tem algo que me desanima totalmente é a tal da viagem em excursão. A não ser que seja um grupo de amigos e que a “juntada” não dure mais do que um final de semana, qualquer ideia de seguir um grupo de pessoas estranhas que fazem tudo igual, visitam as mesmas coisas, comem nos mesmo lugares e tem horário contado para visitar até museu, me parece tudo, menos sinônimo de algo legal.

Quando vou a algum lugar procuro dicas de quem já foi, blogs, matérias especializadas e monto roteiros de onde ir, o que comer, onde se hospedar para tentar viver uma experiência mais próxima da realidade local. Mas a melhor viagem é sempre aquela que a gente pode contar com um amigo "da área". Estar com alguém que conhece “as boas” do lugar, o que está em alta, as “furadas” e poder mergulhar no universo dos costumes locais, fazer e comer coisas que os nativos fazem e comem é, para mim, uma experiência que não tem preço. Mas a verdade é que tem.


É possível ter um amigo local em muitos dos destinos internacionais mais cobiçados, incluindo Buenos Aires, e até muitos estados brasileiros.Basta alugar um. Isso mesmo, procure um serviço de um Rental Local Friend – um amigo de aluguel que pode fazer um roteiro sob medida para seus interesses, desvendando segredos e curiosidades do destino. No site é possível selecionar amigos a partir do seu destino, língua e interesses em comum. Por US$ 100 dá para fazer um roteiro com um Local Friend na capital argentina.

Se você quiser ir mais além nesse mergulho na cultura local, que tal ir jantar ou almoçar na casa de um autêntico nativo? Não conhecer alguém que lhe convide não é mais problema. Hoje em dia já é possível viver a experiência de comer algo típico em uma autêntica casa de um local para descobrir mais sobre seus costumes e gostos, graças a uma comunidade global de pessoas que são amantes da boa mesa, e se dispuseram a abrir suas cozinhas para receber turistas, chamada EatWhith.

Em Buenos Aires é possível viver experiências como jantar na casa de um casal de argentinos dançarinos profissionais e ter uma aula exclusivíssima, enquanto experimenta delícias locais como empanadas, tapas, um assado. Tem gente especializada em pâtisserie, nas amadas “haburguesas”, milanesas, comida vegetariana e orgânica.

As duas ideias são geniais. E posso dizer, por experiência própria, que um lugar é de um jeito quando se vai como um turista comum e de outro, se tiver a felicidade de conhecer alguém que vive já há algum tempo por lá. É uma questão de querer conhecer a alma do lugar ou apenas se satisfazer com fotos de cartões postais. Se for possível fazer isso de forma “profissional” e ao mesmo tempo amistosa, melhor ainda!

sábado, 24 de agosto de 2013

Fui alí em San Isidro...

Vista do Passeo de Los Três Ombués
Chegou o final de semana e eu estava à toa na vida e chamei o meu amor: “vamos alí em San Isidro”. E não é que ele topou? Decisão acertadíssima porque foi um passeio tão gostoso que repetimos no final de semana seguinte. Pegamos nossas “bicis” e sem qualquer compromisso, fomos até a estação de trem da Juramento. Você pode ir também pelo Tren de La Costa, que é uma linha turística que sai da estação de Maipú e vai até Tigre. Mas obviamente, a linha normal de trem custa infinitamente mais barato, está mais a mão, e os vagões reservam espaço para acomodar as bicicletas.
Catedral deu origem à cidade

San Isidro é uma cidade lindinha que faz parte da Grande Buenos Aires. Sua história está intimamente relacionada à Catedral de San Isidro. O desenvolvimento da cidade só se deu porque o Capitão Domingo de Acassuso, proprietário desse belo pedaço de terra doado por Juan de Garay, recebeu em 1706 a autorização para transformar a capela de sua fazenda em um templo público. Foi entorno do templo que começou a se formar um povoado, dando origem a cidade, que entre os séculos XVIII e XIX viria a se tornar o refúgio de veraneio das famílias endinheiradas de Buenos Aires.

A tal capela é hoje a belíssima catedral. Construída 1895 e reformada recentemente, o templo exibe uma arquitetura neogótica, que te obriga a contemplá-la olhando para o céu, como para lhe lembrar da existência divina. É considerada uma das igrejas mais bonitas da Argentina e ostenta lindos vitrais franceses e alemães que filtram luzes coloridas para dentro da nave central.

O melhor pancho da redondeza

Para uma boquinha, vá ao La Pancha
Como ocorre em qualquer cidade do interior, em frente a igreja há uma pracinha e em San Isidro não é diferente. Saindo da catedral tem a Plaza Mitre, onde todos os Sábados, Domingos e feriados, para não fugir a tradição argentina, há uma feira de artesanato local com roupas, comida, artigos de decoração, acessórios entre outras mil coisinhas.
Pacho com queijo Brie

A cidade oferece uma infinidade de cafés, restaurantes, mas foi lá que comi um dos melhores cachorros-quentes de minha vida. O La Pancha tem salsichas alemãs e austríacas (as da Argentina não são saborosas), e com molhos e acompanhamentos maravilhosos, como queijo Brie e cebolas carameladas. O tradicional Choripan (o cachorro-quente de chorizo) vem com um molho de pimenta doce.

O lugarzinho é pequeno, limpo com um serviço simpático e ainda com uma ótima música de fundo. Parece que você se tele transportou para uma lanchonete alemã descoladinha. O melhor de tudo é que come-se bem e paga-se pouco.

Hóspede de Victória O’Campo

La Porteña
O mais bacana de San Isidro é você buscar as casas-quinta que ainda existe aos montões pela cidade, e algumas fazem parte do casco histórico de San Isidro. Umas viraram museus, outras escolas e outras são propriedades particulares ainda.

Jardim do Museo Beccar
No Passeo de Los Três Ombués, além do mirante que permite uma visão até a Ribeira, estão três quintas que marcam bem essa história e a arquitetura colonial da época: a Quinta Los Naranjos, uma casa privada cor-de-rosa e que poderia estar melhor conservada, a Quinta La Porteña, antiga residência do governador das Ilhas Malvinas, Luis E.Vernet, e o Museo, Biblioteca y Archivo Histórico “Dr. Horacio Beccar Varela”, onde se cantou pela primeira vez o Hino Nacional Argentino.


Mas o imperdível é a mansão da Villa O’Campo, construída em 1891. O casarão que é mantido pela Unesco é esplendoroso por sua história, arquitetura e jardins. O lugar foi a casa de veraneio da família O’Campo e posteriormente (1942) residência de Victoria O’Campo, que a herdou da madrinha - a tia Pancha (já não se fazem mais madrinhas assim...). Intelectual, tradutora, escritora e sempre a frente do seu tempo, Victoria foi a primeira mulher a ter carteira motorista na Argentina e teve a coragem de, naquela época (1920), se separar do marido e viver uma relação secreta -- mas nem tanto -- com o primo dele, que durou 13 anos.

Reduto de pensadores reconhecidos mundialmente, a Villa guarda objetos e móveis originais, inclusive um piano utilizado por Stravinsky, quando esteve na casa como hóspede de Victoria, cadeiras de Le Corbusie, seu amigo, e peças incríveis, moderníssimas, misturadas a móveis de época. Ela passou dois anos na França em lua-de-mel, comprando móveis - presente de tia Pancha.

A mansão recebeu ainda personalidades como Indira Gandhi, Tagore, Roger Caillois, Pablo Neruda e inúmeros outros.

Temos o mesmo gosto só não tive a mesma madrinha
A administração da Villa oferece visita guiada de quarta a domingo, a partir das 14h. Se programe para não deixar de tomar o chá, servido entre 15h30 e 17h30, na cafeteria, que tem mesas internas e para o jardim, com louças e pettit fours que revivem a atmosfera da época de forma deliciosa. A Victoria doou a casa com todos os seus 12 mil livros para isso: manter e efervescência cultural. Inclusive, você pode fazer uso da biblioteca e ver seus exemplares com as dedicatórias.

E foi assim que já posso dizer que fui hóspede da Victoria O’Campo por uma tarde.



Os óculos que viraram sua marca registrada

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Está pensando em viajar para a Argentina?

Então é bom atentar para alguns detalhes. Eu já falei sobre esses pontos em diferentes posts, mas serei um pouco mais didática para não ter que ficar repetindo as mesmas coisas para todo mundo. Assim, aqui vai um miniguia de sobrevivência para os primeiros momentos de sua viagem com as dúvidas mais frequente que recebemos.

Câmbio


O país está passando por uma crise econômica muito atípica que poderíamos chama-la de “parece, mas não é”. O governo divulga números oficiais que não condizem com a realidade e isso afeta diretamente a política cambial.

Como o governo está constantemente intervindo no câmbio e faz coisas que fariam Adam Smith vestir a cueca pela cabeça, é bom verificar constantemente a cotação do Dólar Blue se não quiser perder dinheiro. E o que é isso? É o dólar paralelo. A defasagem entre o Blue e o paralelo já chegou a mais de 60%. Para facilitar, siga este link que dá as cotações sempre atualizadas. http://www.valordolarblue.com.ar

Então, nada de cambiar no Brasil porque, claro, vai pagar o câmbio oficial. Traga dinheiro em espécie, de preferência em dólares. Procurem não fazer uso de cartão de crédito internacional durante sua viagem, pois você gastará muito mais justamente por conta dessa defasagem. Lembre-se que as compras feitas no cartão terão seu valor convertido sempre pelo oficial e mais IOF. Então, organize-se para trazer o dinheiro que vai gastar em dólar para cambiar no paralelo aqui.

Trazer em pesos só o suficiente para o deslocamento do aeroporto até o seu destino. Em geral, 80% das lojas aceitam dólares ou reais. Mas em 60% o cambio é desfavorável em relação as casas de cambio, então é preciso ficar atento à cotação.

Os cartões de débito internacional, tipo Money Card, que são carregados em dólares só são úteis para compras no Free Shop. As lojas não costumam aceita-los. Não são indicados para retirada de dinheiro nos caixas eletrônicos. Os caixas vão lhe pagar em pesos e fazer a conversão pelo dólar oficial.

E por favor, cuidado quando for cambiar. Não aconselho ir na conversa daqueles doleiros que ficam aos montes na Calle Florida oferecendo cambio. Você pode receber notas falsas e sair no preju. Vá numa casa de câmbio estabelecida, direitinho. Para saber mais um pouquinho dê uma olhadinha no post O câmbio que o vento levou...

Saindo do aeroporto

São dois aeroportos: o Aeroporto Internacional de Ezeiza, que fica afastado da capital uns 40 quilômetros, e o Aeroparque que é o Santos Dumont de Buenos Aires. Quando comprar a passagem leve isso em consideração porque um táxi comum do Ezeiza até a cidade custa em torno de uns AR$200,00 enquanto que no Aeroparque você vai gastar em torno de 60,00. Então verifique se a diferença de preço da passagem compensa esse gasto.

Táxis
Alguns cuidados devem ser tomados com os taxistas, caso seja essa a sua opção de transporte. Se estiver com pesos, preste atenção ao entregar notas de 100 ou 50 pesos ao condutor, pois existe a possibilidade de ele substituir a sua nota por uma outra falsa e dizer que você a entregou. Um golpe básico, muita gente disse que já caiu, mas eu, francamente, nunca tive essa infelicidade. Em Buenos Aires não, mas no Chile sim!

Para resolver esse problema duas coisas podem ser feitas - mostrar a nota contra a luz na frente dele, de forma a evidenciar a marca d´água ou decorar o número de serie da nota e caso ele aplique o golpe peça que ele te devolva a nota com aquele numero de serie. Caso ele recuse, peça então para que ele chame a polícia. Jamais aceite a nota de volta, pois muito provavelmente ele a terá substituído por uma nota falsa e ficado com sua.

O pior golpe é do taxímetro adulterado. Já peguei um assim uma única vez. Se não quiser ter nenhum problema dessa natureza, o melhor a fazer é pegar um Remís, que é um táxi numerado, mais seguro e mais caro. Mas eu reforço que não tenho tido problemas com os táxis convencionais.

Ônibus


Para pegar ônibus é preciso ter moedas ou o cartão Sube. Os ônibus não têm cobradores e o pagamento é automatizado e as caixas automáticas só aceitam moedinhas. Então fica difícil para quem está chegando de viagem utilizar esse meio de transporte. Mas se quiser, entre no site http://mapa.buenosaires.gob.ar/ coloque seu destino de origem e para onde vai e veja qual linha utilizar. Veja também o post Pra lá e para cá sem carro em Buenos Aires.

Acho que coloquei todo o necessário, mas se tiver mais alguma dúvida, comente esse post que vou tentando responder.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Lujan, Temaikén e Zoo de BAires: a vida selvagem na Argentina

Confesso que adoro um zoológico. Mesmo, algumas vezes, penalizada por estarem presos e não no seu habitat natural, adoro admirá-los, conhecer seus hábitos. É coisa que vem lá da minha infância, dos livros sobre curiosidades animais que meu pai me dava para ler e dos incansáveis passeios aos jardins zoológicos que íamos sempre, em todos os lugares que visitávamos. É, sou da época que circo tinha animal e que todo mundo queria ver o show do domador (céus! Éramos quase bárbaros!).

Zoo de Buenos Aires: fácil acesso 
Portanto, esteja onde estiver, se tem zoológico, eu vou conhecer. E a Argentina tem muitos, para todos os gostos. Em Buenos Aires há o zoológico da cidade, na Avenida El Libertador, em frente ao Monumento aos Espanhóis, que estende até a Plaza Itália, podendo ingressar pelos dois lados. É um bom passeio para as crianças, que podem dar ração aos veadinhos e afins. Tem quase todos os big fives – elefante, rinoceronte, leão, leopardo (não me lembro de ter visto o búfalo) – viveiros de aves e um aquário com shows de lobos marinhos, que você precisa pagar a parte se quiser ver.

É bacana, de uma maneira geral está bem cuidado, é central, facilzinho de ir, bem no coração de Palermo. No entanto não tem nada de muito diferente dos zoológicos espalhados por ai. Mas se está procurando por uma experiência única no mundo animal, vai ter que sair da cidade.

Lujan: cara a cara com as feras

Ataque à minha inocente bolsa
Ali mesmo, na Plaza Itália, você pode pegar o coletivo 57 que vai te levar até o Zoológico de Lujan. Ai, sim você estará no caminho certo para sua aventura. Se preferir um pouco mais de conforto, opte por uma das vans que saem do centro, perto do Obelisco. Nesse caso, tem que fazer uma reserva por telefone (02323-436304 ou 02323-430372). A viagem demora, mais ou menos, uma hora.

Não vou entrar em polêmicas protecionistas dos animais, mas o fato é que neste zoológico você terá a oportunidade de entrar nas jaulas dos bichos. E não estou falando dos veadinhos e afins inofensivos. Estou falando dos leões, filhotes e adultos, e dos tigres, o que inclui um lindo, todo branco!
Eu e meu irmão com o tigre branco

Agora, se eles são dopados para que fiquem tranquilos durante as visitas (há quem diga isso), eu já não sei. Se colocam algo naquela mamadeira que eles oferecem o tempo todo para os bichos, isso eu também não sei informar. O que vi e registrei é que os “gatinhos” estavam, em sua maioria, acordados, eram alimentados com frango ou carne, o tempo todo, e aceitavam a presença dos estranhos para uma foto.

Leões brincam com cachorros
Inclusive me espantou a presença de cachorros nas jaulas junto com os “bichanos selvagens” numa convivência muito pacifica. Um pitbull brincava animadamente com um filhote de tigre logo na entrada e numa jaula, com uns quatro tigres adultos, um vira-latas parecia ser o dono do pedaço! Foi o que me animou a entrar também!
A administração do zoológico diz que os animais passam por um longo processo de amansamento e, realmente, nem todas as jaulas estavam disponíveis para visitação e é preciso seguir algumas recomendações. As crianças são proibidas de entrar porque os felinos podem pensar que são aperitivos. Até o meu sobrinho que tem 14 anos que é alto, mas é magrinho, não pode entrar na jaula dos animais adultos, só na dos filhotes.

Você também não pode fazer movimentos bruscos, nem por a mão na região do pescoço e cabeça e nem se posicionar na frente do animal para ser fotografado.

Os tratadores estão o tempo todo orientando o que pode ou não fazer e disciplinando a entrada do pessoa — três por vez. Mesmo assim isso não impediu que um filhote de tigre mais hiperativo atacasse a minha bolsa que ficou pendurada na entrada de uma das jaulas. Com um pulo e uma patada, a bolsa foi jogada no chão e se a tratadora não espanta o bichano, acho que ela não teria sobrevivido. Uma lhama mal educada perseguiu e cuspiu em mim. Senti algo pessoal.

O grande lance do Zoo de Lujan é isso: poder pegar e sentir os bichos e, se tiver azar, ser pegos por eles (espero sinceramente que não). Então, se você for daquelas pessoas que na minha terra a gente chama de “encagaçada”, não perca a viagem.
Fábio, meu filho, enfrentou os leões

O zoológico não é visualmente bonito e se o dia estiver chuvoso, desista, porque tudo vira um lamaçal. Lá dentro não há muitas opções de almoço. Só há um restaurante, com uma churrasqueira. O melhor é ir cedo, levar um lanche, passar toda a manhã no zoo e a tarde ir ao centro de Lujan, almoçar e aproveitar para conhecer a Basílica de Nossa Senhora de Lujan, padroeira da Argentina. A imagem da Santa, inclusive, é brasileira – foi feita em São Paulo.

Bioparque Temaikén

Mas voltando aos bichos, um outro programa imperdível é ir ao Temaikén, principalmente para a criançada e os adultos que não cresceram como eu. Reserve mais um dia de passeio porque o lugar é longe de Buenos Aires, fica em Escobar, e é grande. Você também pega o coletivo na Plaza Itália para ir até lá. Pode pegar o expresso e um semi-expresso. Peguei os dois e a única diferença que achei foi o preço porque o tempo foi de uma hora e meia, um pouco mais, um pouco menos.

Teimaikén é um bioparque e o diferencial dele é a beleza do espaço, muito bem cuidado, com boas praças de alimentação e conforto. O parque tem ambientações variadas para recriar o habitat natural dos bichos e é um convite à contemplação das espécies. Os viveiros são enormes e você entra para observar tucanos, araras e uma infinidade enorme de aves de pertinho, como se elas estivessem livres. O mesmo ocorre no espaço dos cangurus australianos, entre outros.

Os animais têm bastante espaço para reproduzirem os mesmos movimentos que fazem quando estão soltos na natureza. O parque também oferece atividades variadas em diferentes dias e horário, como por exemplo, a oportunidade de ver os tratadores alimentando os animais ou ainda fazendo demonstrações, jogos e palestras.
Apresentação das aves de rapina com participação do público

Os aquários são realmente uma atração a parte. Dá pra ver, por exemplo, o hipopótamo nadando e o quanto ele é enooooorme porque ele chega pertinho do vidro. Todos os sábados, das 14h45 a até às 15h45 mergulhadores entram em ação no aquário, que dá uma visão ampla do fundo do mar, de 180 graus. Eles alimentam tubarões e analisam o comportamento das espécies. Também é possível entrar no aquário e participar dessa atividade, pagando um valor adicional.
Shark Attack 

Se a visita é curta, fica até difícil de dizer o que abrir mão porque Lujan e Teimakén oferecem propostas tão diferentes que eu fico com os dois, apesar de achar o Temaikén muito mais bonito, aprazível e, digamos, “politicamente correto”. Mas em quantos lugares no mundo você poderia estar tão perto de um leão, sem o risco de cair na malha fina? Fica ai a dúvida da escolha para vocês.

É possível mergulhar no aquário!


segunda-feira, 29 de julho de 2013

Um museu para uma história trágica de amor

Um museu relativamente novo em Buenos Aires, mas que você já pode colocar na sua lista de visitas obrigatórias, é o Museo del Bicentenario. Inaugurado em 2011 para marcar os festejos do bicentenário da independência da Argentina, o museu, na realidade, foi uma boa desculpa para guardar um precioso tesouro – uma obra de arte que esconde uma história desesperada de amor e de disputas judiciais.


O espaço foi construído nos fundos da Casa Rosada, no subsolo, aproveitando as ruínas do Forte de Buenos Aires, que existia no século XVIII, e da Aduana Taylor, construída em 1855. A bem bolada arquitetura, que aproveitou a iluminação natural a partir do teto envidraçado, por si só já seria uma bonita atração. Para quem passa por fora, se não for atento, pode nem perceber a grandiosidade do projeto, feito de forma a não interferir em nada na visão externa do palácio presidencial. A primeira vista parece até que se trata de mais uma estação do metrô, mas logo que se entra somos impactados pela beleza que é o contraste do moderno com o antigo – a restauração dos restos do antigo edifício da aduana e do forte com o branco do piso.

Um vídeo feito com a ajuda da computação gráfica dá ao visitante a exata noção das transformações que o espaço sofreu desde antes da construção da Casa Rosada até as obras do museu. Dá uma olhada.

O museu guarda toda história da Argentina desde sua independência até os dias atuais, exposta de forma cronológica e dividida por fases. Lá é possível reviver, por meio de vídeos, áudios e objetos, a emoção dos argentinos ao receberem o anúncio da morte de Evita Peron, os horrores sofridos pelas Mães da Praça de Maio no período da Ditadura Militar, a Guerra das Malvinas e, obviamente, a era Kirchnerista  que foi responsável pela construção do espaço, o que acaba por prejudicar um pouco a credibilidade das informações contidas nessa parte da história.

O melhor está no final

No entanto, a cereja do bolo pode-se dizer que nada tem haver com a história do bicentenário da argentina e não à toa fica por último, guardada com muito cuidado. Se trata do mural do artista mexicano David Alfaro Siqueiros, Ejercicio Plástico. A obra, feita no interior de uma adega que foi inteirinha transladada para o interior museu, carrega, além da importância artística, uma história pra lá de intrigante, que ainda não sei como não virou um tango.

O trabalho começou em 1933 na quinta Los Granados, propriedade do empresário milionário Natalio Botana, dono de um importante jornal da época, e as controvérsias sobre as circunstâncias que levaram Siqueiros a fazer esse “Ejercicio” já começam daí. Conhecido por ser, junto com Diego Rivera e José Clemente Orozco, um dos grandes muralistas mexicanos, o pintor é proclamado mundialmente por sua dedicação à arte pública e aos temas revolucionários e sociais, e por isso ninguém sabe ao certo por que ele aceitou realizar uma obra de tamanha envergadura em uma propriedade privada e no sótão.

Mais que isso, ele também deixou de lado sua recorrente temática para retratar a nudez de sua mulher, a poeta uruguaia Blanca Luz Brum. Talvez por estar escondida dos olhos do público, ele resolveu testar nessa obra várias técnicas ainda desconhecidas na época e chamou para ajuda-lo os artistas argentinos Lino Enea Spilimbergo, Antonio Berni e Juan Carlos Castagnino, além do cenógrafo uruguaio Enrique Lázaro. Os três primeiros seriam responsáveis, posteriormente, por pintar o maravilhoso teto da Galeria Pacífico, inaugurando o movimento muralista na argentina.

Ato de amor e ódio

Enquanto Siqueira testava o aerógrafo no lugar do pincel e projetava fotografias substituindo os tradicionais desenhos na tentativa de dar movimento à pintura e a sensação de que sua mulher estaria numa caixa de cristal dentro do mar, como uma bolha, Blanca, dizem as más línguas, iniciava ali um tórrido romance com o dono da chácara.

A obra ficou pronta em três meses e Siqueiros, por questões políticas, voltou sozinho para México, deixando a mulher em Buenos Aires. Foi o fim do seu relacionamento, que já não andava bem, e há quem diga que Ejercicio tenha sido a forma do artista expressar seu sofrimento amoroso.

Fala-se inclusive, que a representação da mulher desnuda retorcida reflete uma briga que o pintor mexicano teve com Blanca em um restaurante. Contam que ele lhe deu uma bofetada tão forte que ela caiu com as costas sobre a mesa e é essa a imagem que está na parece ao fundo do sótão. 

Se foi isso, o fez de forma belíssima, derramando seu drama pessoal pelos 200 metros quadrados da sala semicilíndrica, tomando suas paredes, o teto aboleado e o chão, imprimindo uma dimensão nunca antes vista em uma obra interna. Uma chaga que Siqueiros tratou de esquecer e trata-la como um treinamento e, talvez, por isso nome “Ejerccio”, já que a considerava uma transgressão bibliográfica de sua arte socialista.

Depois da morte de Botana, em 1941, a obra passou por uma longa peregrinação. Por seu conteúdo considerado pornográfico, sofreu violações por parte de uma das mulheres dos proprietários que adquiriu a chácara. Essa insana chegou a tentar retirar a pintura com ácido, mas a técnica utilizada por Siqueiros foi tão resistente que acabou sendo encoberta com cal para impedir sua visualização.

Até que um outro empresário, em 1989, decidiu explorar o “achado” e resolveu retirar a pintura da adega, separá-la em painéis, como um quebra-cabeça, e a pôs em containers para exibi-la em uma turnê mundial. No entanto, atolado em dívidas, não conseguiu dá prosseguimento ao projeto e iniciou-se aí uma grande disputa judicial que levou 16 anos.

Foi o presidente Néstor Kirchner que, em 2003, declarou o mural “bem de interesse artístico” para somente em 2009 o senado expropriar o bem e, assim, o governo iniciar os trabalhos de restauro. E talvez por se constituir num grande feito da era Kirchnerista que a obra foi parar lá no museu inaugurado por sua mulher, a presidenta Cristina. Agora, exposta bem aos olhos das massas, é um testemunho de uma outra revolução, a dos sentimentos.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Muitos motivos para ir (e voltar) a Bariloche



Paisagens de tirar o fôlego
Em julho começa a alta temporada de inverno em Bariloche. Ou seria “Brasiloche”? Nessa época do ano os brasileiros lotam a cidade argentina sem a menor cerimônia, o que fazem muito bem, porque o lugar é perto, lindo de doer e a argentina está em conta para a gente.Vale a viagem! Os argentinos estão tão acostumados com os brasileiros por lá, que já entendem tudo o que falamos e se esforçam para falar um portunhol manco.

Esqui-bunda para garotada 
Atenção para a qualidade das roupas para neve
Bariloche está totalmente recuperada depois da erupção do vulcão Puyehue em junho de 2011 e o número de brasileiros na cidade já é 20% maior que no ano passado. Para quem nunca viu neve, o espetáculo é garantido. E se estiver bem preparado para o frio e de posse de informações importantes, as chances de ter uma experiência positivamente inesquecível são de 100%. Agora, se for um despreparado, é capaz de passar por alguns dessabores e tornar o encontro com a neve algo traumático.

Como eu estava bem, só tenho motivos para querer voltar. Ainda me lembro de quando era criança e fui a Nova York pela primeira vez, no inverno. Peguei um frio tão grande e sem qualquer preparo, que perdi o interesse pela viagem e me enfiava em todas as lojas por conta da calefação. Era um vento que me cortava a alma. Passei anos sem querer voltar e só depois de adulta pude desfazer a péssima lembrança.

O frio de Bariloche é desses de cortar a alma. Mesmo na cidade. Portanto, vá preparado não apenas para esquiar na neve, mas para andar pelas ruas na cidade. Fui agora no final de junho e peguei neve, chuva e temperaturas abaixo de zero. E a alta temporada nem tinha chegado.

Aluguel de roupas de esqui e compras

Você não precisa comprar roupas de esqui se a sua intenção for meramente recreativa. Em Bariloche é possível alugar o equipamento completo em várias lojas no centro. A todo o momento tem alguém te oferecendo. Há muita diferença de preço entre uma loja e outra e de qualidade também, lógico, então pesquise. Não pense que poderá economizar e ir com suas roupas normais porque sua avareza será castigada: terá as roupas ensopadas e morrerá de frio, mesmo que sua intensão seja só olhar a neve.

Vista do pé do Cerro Catedral 
As roupas são basicamente iguais – casacos e calças ou macacão, luvas e botas – mas as botas, essas fazem a diferença. Procure as que têm solado de borracha ou correrá o risco de escorregar e se machucar feio. A maioria oferece botas pretas com solado plástico, com clavas, mas não são boas. Meu filho sentiu a diferença na pele, ou melhor, na bunda – caiu e está com suspeita de ter fraturado o cóccix. Se puder alugar óculos também, melhor ainda.

O aluguel é cobrado por diária, em espécie, e sai mais barato alugar tudo em um mesmo lugar do que optar por pegar peças separadas. Quanto maior for o tempo de aluguel, menos se paga. No comércio muitas lojas aceitam real como pagamento ou dólar (mas tem que ver se o câmbio vale a pena, se for o mesmo que é aplicado no oficial, pague em pesos porque a defasagem entre o oficial e o paralelo é grande!). Cartão internacional só em caso de extrema necessidade.

Agora, se preferir ter sua própria indumentária, passe antes por Buenos Aires e vá a Calle Forest, 400. Lá tem uma pequena concentração de lojas de fábricas de casacos (também impermeáveis), camisas térmicas, corta-vento, coletes e etc. As térmicas são boas de comprar porque essas não há para alugar. Leve um casaco convencional bom para a cidade.

Diplomacia brasileira 

Hotel Fazenda Carioca: um pedacinho do Brasil
Entre os muitos hotéis, hospedarias e cabanas em Bariloche encontrei um verdadeiro cantinho brasileiro: o hotel Fazenda Carioca, uma dica preciosa da minha amiga Daniela Brauer. O nome logo denuncia que tem dedo brazuca e a bandeira brasileira, no hall de entrada, entrega de vez, se é que ainda restava alguma dúvida.

A casa é linda e enorme já foi a residência do consul brasileiro em Bariloche. Seu filho, criado no local e apaixonado pelo lugar, comprou a propriedade e fundou o hotel. Sorte para os hóspedes que podem desfrutar de acomodações muito confortáveis, espaçosas e de uma deslumbrante vista panorâmica do lago Nahuel Huapi e da cordilheira. É impagável ver o amanhecer enquanto se desfruta o café da manhã, aliás, muito bem servido. Além do dono, o pessoal da recepção ainda arrasta um português.

Área da recepção e restaurante com vista panorâmica
O hotel não fica perto da cidade, mas o contato direto com a natureza e a tranquilidade do lugar, que conta com dois hectares de jardins e bosque, compensa qualquer coisa. Mas se o objetivo é economizar com deslocamentos, aconselho a ficar em algum hotel do centro.  

Passeios: dicas e cuidados 

Subida ao Campanario
É claro que quem vai para Bariloche quer ver neve, esquiar, fazer esqui-bunda, e isso fica fora da cidade. Dois lugares que não podem deixar de ser vistos: Cerro Catedral e Piedras Blancas. Para quem nunca foi a essa região, vale fazer o que eles chamam de Circuito Chico, que é vendido pelas agências locais. Ele envolve alguns dos pontos mais interessantes e o roteiro inclui uma volta pelas principais “praias” do lago Lago Nahuel Huapi, o Hotel Llao Llao, uma parada na fábrica de Rosa Mosqueta, o Cerro Campanario e o Cerro Catedral.
Surra de neve no Campanario, farra, mas vista prejudicada

Agora, atenção: o preço que é cobrado pelo passeio só inclui o transporte e o guia local. Não inclui as subidas aos Cerros Campanario e Catedral, que você precisa pagar a parte. Não é barato e é pago em espécie, na hora, e isso não nos foi avisado. Portanto, leve dinheiro ou perderá o melhor da festa.

O roteiro leva o dia inteiro e pode ser entediante para a molecada, que quer é brincar na neve. Então, se já conhece esse roteiro e quer economizar e eliminar os entretantos, vá direto ao Centro Cívico da cidade, onde está a Secretaria de Turismo e pegue lá folhetos, mapas e o guia de todas as linhas de ônibus locais e horários. Assim, você poderá visitar todas as atrações, pagando muito menos e escolher o que pretende fazer. Ta aí, um dos meus motivos para querer voltar.

Subidas não estão inclusas nos passeios
Para saber como ir ao Cerro Catedral de ônibus, que é a principal atração, acesse o site da empresa de micro-ônibus 3 de Mayo e veja os horários. Tem outras empresas na lista da prefeitura. Reserve um dia para esse passeio. Lição aprendida para minha próxima ida.

O Cerro Catedral é o centro de inverno mais importante da América do Sul e oferece uma ampla infraestrutura de serviços para a prática de todas as modalidades de esqui e outros esportes invernais. É a Disneylândia da garotada ávida por se esbaldar na neve! E para os menos dispostos, há a possibilidade de comer um cordeiro patagônico enquanto aprecia a vista linda do pé da serra.
Cerro Catedral pronto para a alta temporada

No Cerro Otto está o complexo Piedras Blancas, onde também é possível fazer esqui-bunda e esqui convencional, inclusive tomar aulas. Você pode escolher entre cinco pistas e para quem só vai acompanhar a farra é possível optar por fazer o passeio no teleférico e ficar na parte mais baixa, onde há estrutura com um café ou pegar o pacote completo com direito a descer até seis vezes na pista. 
Na estação do teleférico Cerro Otto, que se pega no Km 5 da Avenida Pioneiros, se acessa a confeitaria giratória, única da argentina. No Campanario está uma das sete vistas panorâmicas mais bonitas do mundo. E tive sorte. Começou a nevar minutos depois que chegamos no alto, mas se por um lado meu primeiro contato com uma chuva de neve foi emocionante, por outro, o mal tempo impediu uma vista mais ampla da paisagem. Mas valeu muito! Lá também tem uma cafeteria com calefação para esquentar as mãos e um reconfortante chocolate quente.

Para quem vai passar mais dias, tem muitos passeios para serem feitos. Mais e menos radicais. Desde um parque com esculturas gigantescas e realistas de dinossauros até caminhadas com aquelas raquetes para neve. Na secretaria você pode se informar de todos eles.

Para comer e beber

Mamuschka: clima de Natal em pleno junho
Os chocolates são a marca registrada de Bariloche por conta da colônia suíça. Mas não se iluda, o cacau é do Brasil ou da Colômbia porque a Argentina não produz a fruta. Mas a receita vem mesmo dos alpes. E há mais de 10 fábricas de chocolates para você escolher. A Mamuschka e a Rapa-Nuí têm as lojas maiores e mais bonitas. A Chocolate do Turista é enorme, mas não nos foi recomendada por usar mais gordura na fabricação.

Vem da colônia suíça também o tradicional curanto, que quer dizer “pedra quente”. A iguaria é feita pelos colonos somente às quartas e aos domingos. Para o preparo cava-se um buraco, onde é colocado fogo para aquecer as pedras e os alimentos são cozidos sobre elas. Fecha-se o buraco com folhas, serragem e terra. E enquanto cozinha, a festa vai acontecendo. Queria ter experimentado, mas voltei antes e vou ter que me programar para a próxima. Mais um motivo para voltar!
Fondue de queijo para dois no La Marmite

Restaurantes há muitos e de variadas especialidades. Além do cordeiro patagônico servido em quase todo lugar, não deixe de experimentar um prato de cerdo, javali, truta ou salmão, que é o que há de melhor por lá.

Recomendo o restaurante Família Weiss, que fica em frente à Catedral, para pratos de caça e um bom vinho; o Boliche de Alberto (tanto o de carnes quanto o de massas, são muito bons e com bons preços) e o La Marmite, de fondue – com ótima ambientação e muito aconchegante. Dica da minha amiga Dani, que não costuma errar, para um cordeiro patagônico, é o El Patacon. Não pude averiguar, acabei comendo o meu numa parrilla em Cerro Catedral. Não foi ruim, mas achei pouco e nem foi barato, mas definitivamente terei que voltar para experimentar esse.

Serviço

Secretaria de Turismo Bariloche
0294 4429850
www.barilocheturismo.gob.br